O parto – parte I

Dia 7 de dezembro eu acordei ansiosa. Muito mais do que eu estava naturalmente durante todos esses dias de espera. Meu coração batia acelerado e eu estava muito inquieta. Senti uma necessidade enorme de rezar, pedir a Deus proteção, harmonia e paz de coração. Fiz a leitura da sutra, tomei um banho, vi algumas coisas na internet. Queria que as horas passassem logo para ir fazer a ultrassonografia. Papai fez uma massagem na mamãe para ajudar a relaxar, foi ótimo, fiquei mais animada depois disso.

Fomos para a clinica 14h. Até o momento eu não estava sentindo nada. Nem mesmo as cólicas que me acompanharam durante esses dias. Chegando a clinica senti uma forte pressão na bacia, como se o bebê tivesse descido um pouco mais. Essa sensação me fez parar e vovó segurou a mamãe pelo braço perguntando o que havia acontecido. Subimos, fizemos o exame e ficamos muito tranquilos, você estava ótima, encaixada, sem circular de cordão no pescoço, com quantidade de líquido adequada para a idade gestacional. Quando terminou o exame senti uma cólica forte, uma dor no quadril que me deixou paralisada outra vez. Esperei a dor passar, pegamos o laudo do exame e fomos para casa.

Chegando em casa as dores estavam como cólicas menstruais fortes, daquelas que dá vontade de deitar na cama e não levantar mais. O espaço entre as cólicas estava irregular, em média era de 10min. Tomei um banho e resolvi relaxar para esperar as contrações aumentarem e então seguir para o Centro de Parto Normal (CPN).

As contrações estavam aumentando e cada vez que vinha era um pouco mais forte. Sentei na bola de pilates para exercitar, ficava fazendo movimentos circulares com o quadril no intervalo entre as contrações e quando a contração vinha ficava de cócoras no chão. Esse dia era véspera de feriado em Salvador, minha mãe e minha sogra estavam preocupadas com o transido que teríamos que pegar até o CPN. Porém, fomos orientados a ir quando estivesse com  três contrações a cada 10min. Até 18h as contrações não estavam regulares e as dores estavam mais fortes.

Eu e Joaquim tomamos um banho e ele fez uma massagem na minha lombar com óleo de amêndoas. Durante as contrações ele continuava me dando a massagem e me apoiava para que eu me agachasse. No intervalo, além da massagem, conversávamos e dávamos risada. O clima era de felicidade e muita  alegria.

Permaneceu assim até que por volta das 20h as contrações começaram a vir de 5 em 5 min. Então resolvemos ir para o CPN, já que o transito poderia ser muito grande até lá e o intervalo poderia diminuir durante a viagem. Pegamos as malas e descemos, assim que entrei no taxi tive uma forte contração e essas foram vindo durante toda a viagem em intervalos exatos  de 5 min. Quando estávamos chegando no CPN, por volta das 21h senti uma nova contração num intervalo mais curto e muito mais forte.

Com o aumento do ritmo das dores achávamos que logo estaríamos com Maria Luiza nos braços.

Fui examinada pela obstetra de plantão e tamanha foi à surpresa quando ela me disse que eu estava com a dilatação de apenas um dedo e que com essa dilatação eu não poderia ser internada.

Nesse momento eu chorei, pois achei que seria o fim do sonho de parir de forma humanizada. A médica então me explicou que uma mulher só pode ser internada quando está em trabalho de parto  com 3 cm de dilatação, com menos que isso a situação é de pré – trabalho de parto e não poderia me internar. Porém, com o ritmo que eu estava de contração a dilatação poderia evoluir rapidamente, desde que eu andasse.

Então fomos andar nas imediações do CPN, pois a médica me examinaria em 2h. As dores só aumentavam, tanto em intensidade como em frequência. Joaquim me vendo chorar por medo de não conseguir me apoiou com seu positivismo. Olhou para mim e disse que iríamos andar e minha dilatação ia ser suficiente para internar no próximo exame. Respirei fundo, enxuguei as lágrimas e seguimos para essa caminhada. Cada contração que eu sentia ficava de cócoras, era a única posição que me deixava confortável durante a contração. Terminando a contração levantava e voltava a andar. Joaquim pegou uma toalha para que eu  apoiasse o joelho no chão durante as contrações.

Aquele com certeza foi o momento mais tenso para mim, pois tinha que lidar com o medo de não ter dilatação e não poder parir onde eu tinha planejado. Então cada dor que eu sentia tentava mentalizar meu colo dilatando. Joaquim perguntou se eu queria que ele lesse a sutra e eu aceitei. Ele me segurava de um lado e com a outra mão segurava a sutra que ele lia em voz alta para eu ouvir. O olhar dele nesse momento era de certeza de que tudo já tinha dado certo, que estava tudo bem e que logo teríamos nossa filha ao nosso lado. Essa certeza me dava força para suportar as dores e acreditar que a dilatação aumentaria rapidamente.

Continua no próximo…

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