Semana Mundial da Amamentação – Amamentar hoje é pensar no futuro

 

Teve início ontem, primeiro de agosto, a Semana Mundial de Amamentação em mais de 170 países. O objetivo é promover a conscientização social a cerca da importância desse ato e contribuir para a diminuição da mortalidade infantil.  A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que  a morte  de uma em cada três crianças  antes do cinco anos de idade é devido a má nutrição e defende o aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade e, depois disso, que a mãe ofereça outros alimentos e continue amamentando até os dois anos ou mais.

Infelizmente, a despeito da OMS e do Ministério da Saúde,  ainda ouvimos diariamente relatos de mães que não amamentam. Algumas por escolha, outras porque realmente não tiveram sucesso, mas a grande maioria é por ignorar métodos simples que facilitam a amamentação e por serem mau orientadas. Abaixo segue alguns  conselhos para que as futuras  mamães possam amamentar com tranquilidade.

1. Durante a gravidez converse com o marido (ou namorado) sobre a importância do aleitamento materno. Se precisar apele para o bolso, uma criança amamentada no peito raramente fica doente e o leite artificial é muito caro além de não ter todos os nutrientes que o bebê precisa para crescer forte e saudável.

2. Ainda durante a gravidez, converse também com sua família, especialmente as pessoas mais próximas, fale sobre sua escolha, explique os benefícios de amamentar exclusivamente até os seis meses. No Chá de Bebê (se fizer) não inclua mamadeiras de nenhum tipo. Assim você não estimula ninguém a comprar e a pessoa que daria o presente não vai ficar ansiosa para ver o bebê usando.

3. Se seu peito não tiver bico, exercite desde a gravidez, não hidrate o bico e passe sempre uma esponja vegetal, assim a pele vai ficando mais resistente evitando as rachaduras. Porém o mais importante é a pega do bebê e como ele larga o peito depois da mamada. Explico isso em seguida.

4. A OMS aconselha que o bebê seja amamentado no máximo até uma hora depois do nascimento. Infelizmente nem todos os hospitais permitem essa prática, mas peça para amamentar seu bebê assim que ele nascer. Se precisar converse antes com seu médico sobre isso.  O colostro, leite mais grosso e amarelado que começa a ser produzido no final da gestação, é rico em anticorpos e é muito importante que o bebê tome esse leite o quanto antes.

5.  Aprenda a amamentar. Assista videos, leia livros, converse com pessoas mais experientes, observe outras mães amamentando. Uma mãe bem informada terá mais sucesso na amamentação. Amamentar não dói. Se o bebê sugar e doer, comece de novo. Tente quantas vezes for necessário até que a posição ideal seja encontrada. O bebê deve abocanhar toda a parte escura do seio (mamilo), espere ele abrir a boca o ajude a colocar essa parte toda dentro. Se precisar trocar de peito ou quiser tirar o bebê do peito quando ele dormir o ideal é colocar o seu dedo minimo no canto da boca do bebê e pressionar seu mamilo para dentro, tirando assim o vácuo que é formado entre seu peito e a boquinha enquanto ele está mamando. O ideal é deixar ele largar o peito naturalmente, assim ele mesmo desfaz o vácuo e seu peito estará protegido de rachaduras.

6. Tenha paciência. O leite mesmo só chega no terceiro dia e depois de muitas horas amamentando. É a sucção do bebê que vai estimular a produção. Mães que foram submetidas a cesárea podem demorar um pouco mais de ter leite. O ideal é que o bebê passe o tempo que ele quiser no peito, mamando o quanto desejar. É cansativo mesmo, por isso o melhor lugar para o bebê dormir é na cama com a mãe, assim enquanto ele passa horas mamando você tira uns cochilos e se sente melhor.

7. Corra dos pediatras que aconselham mamadas com hora marcada. Seu bebê passou nove meses morando num lugar quentinho, confortável onde ele não sentia fome! Quando ele chega a esse mundo tem que lidar com várias situações e sentimentos estranhos além da fome! Ai vem um maluco que acha que seu filho vai ficar mau educado se não mamar na hora certa!!! Dê o peito sempre que o bebê solicitar. Ele não vai ficar mau acostumado, não vai ficar viciado, não vai achar que a mãe é escrava dele. Ele apenas vai se sentir amado, aceito e confortável nesse novo mundo. Lembre-se que peito não é só alimento, é carinho, afeto, remédio, consolo. O bebê não tem só necessidade de comer e ter as fraldas limpas, colo e peito são demonstrações de afeto necessárias ao bom desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças.

8. Mostre para as avós e outras mulheres da família que entende a história delas, que acredita que para elas foi difícil amamentar, mas peça com carinho que entenda sua escolha também. Explica que não vai dar leite de vaca porque seu leite foi feito na medida certa para o tamanho do seu bebê. O bebê da vaca é bem maior o leite dela é adequado ao porte do seu filhote.

9. Se o bebê tiver cólicas e chorar muito por isso, sei que é fácil perder o controle e entrar em desespero aceitando qualquer coisa para aliviar logo a dor do nosso pequeno. Mas tenha calma e esfria a cabeça. Lembra de tudo o que você leu até aqui, não vai estragar agora. Nessa hora de desespero sempre aparece uma mamadeira com chá! O melhor remédio para a cólica do seu bebê é seu leite e uma mudança na sua alimentação. Outro santo remédio é o calor do seu corpo e exercícios nas perninhas de vai e vêm. Minha filha relaxava muito no banho de ofurô e ela quase não tinha cólicas. Carregar o bebê no sling também é excelente. O importante é nunca recorrer aos chazinhos das vovós por mais lindas e bem intencionadas que elas sejam.

10. Não existe leite fraco e mulher com pouco leite. Toda mulher produz o leite ideal para seu bebê, isso porque quem regula a produção é ele próprio com a sua sucção. Se o bebê mamar quantas vezes desejar e o tempo que desejar não tem porque se preocupar. Cada criança tem um ritmo, alguns demoram horas mamando, outros mamam rápido, bem como alguns adultos são lentos para comer e outros comem rápido. Não existe um padrão, não queira encaixar seu filho num padrão estipulado pelo ritmo de outra criança.

11. Se você não conseguiu licença maternidade de 6 meses você tem duas opções: A primeira é organizar a vida para voltar ao trabalho e deixar leite. A segunda, depende da sua situação financeira, seria sair do trabalho. Eu escolhi a segunda por vários motivos, além de querer amamentar minha filha. Mas se você não puder fazer essa opção se informe sobre como armazenar leite e fazer a ordenha. Assim seu bebê poderá desfrutar dos benefícios do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e você poderá trabalhar tranquila.

12. Essa é para a família. Tudo o que o bebê e a mãe precisa é de tranquilidade e apoio nesse momento. Carinho e palavras de incentivo são muito importantes. Por isso, se informe também, todos querem o bem desse novo ser que está chegando e o melhor para ele é o leite da mamãe. Deixe que ele mame o tempo que quiser e quantas vezes quiser.

O importante é ter sempre em mente que amamentar é o ato de amor mais importante que você fará por seu filho.

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