Cadê o manual?

Na sua piscina de bolinhas de soprar.

Sempre achei a idade entre sete e nove meses a melhor dos bebês. Muita novidade! Eles ficam ligados a tudo que está acontecendo e começam a interagir com o mundo a sua volta. Querem cada vez mais experiências e busca isso todo o tempo. Desde os sete meses meu bebê se transformou. Chegou a fase de ir para o chão e explorar esse mundo novo, de uma nova perspectiva, observando-o à sua altura.

Nunca tinha observado essas mudanças tão de perto, mesmo com Léo, que cuidei pessoalmente como se fosse mãe, hoje percebo que se fosse mãe dele teria sido uma mãe muito relapsa. Também pudera, era apenas uma adolescente e irmã mais velha, minha mãe sempre cuidou para que a responsabilidade não recaísse totalmente sobre nós, para que pudéssemos viver nossa juventude com liberdade.

Então me lembro de muitas coisas sobre Léo, lembro, por exemplo, que ele começou a andar com quase onze meses, lembro que falou muito cedo, mas não lembro exatos detalhes e idade de todas as coisas. E sobre essa fase entre os sete e nove meses eu lembro pouco, lembro-me dele, mas não sei exatamente a idade em cada recordação. Então fiquei com referências cortadas sobre essa idade, mas sempre achei que essa era a fase mágica de todo bebê.

E não estou errada. Nesse momento começo a perceber minha filha decidindo, escolhendo, tomando posse do mundo a sua volta. Parece que agora, com nove meses, ela está começando a cortar o cordão, não totalmente, pois ainda é meu bebê chiclete, mas começa a interagir no ambiente a sua volta e a expressar seus desejos cada vez mais claramente. E cada descoberta minha sobre ela e dela sobre o mundo é como se eu percebesse, cada vez mais, aquele bebezinho indo embora e dando lugar a uma menininha linda e inteligente.

É assim quando ela quer ir para a rua, quando ela quer descer do colo e andar por ai (mesmo sem saber andar ainda, exigindo que a mamãe ou o papai ande também), quando ela se recusa a engatinhar mesmo sabendo engatinhar. É ela quem decide se vai comer com colher sozinha, com colher com a mamãe ajudando ou vai beber a papinha porque está muito gostosa (acredito)! Comer é algo que deve ser prazeroso então ela deve comer como acha melhor comer. Ficar deitada para trocar fralda é perca de tempo! Tem tanto para ver e explorar no mundo, não é mesmo? Então tenho que criar e me recriar a cada dia, inventando uma forma nova de trocar esse bebê ávido por novas experiências sem que isso pareça chato e rígido demais. Porque trocar a fralda deitada se podemos trocar sentada?

Tem sido assim, ela inventa eu adapto e seguimos juntas aprendendo uma com a outra diariamente. Tenho lido muito sobre educação, criação e tudo relacionado com a maternidade consciente. Tudo o que leio me ajuda muito a tomar decisões e escolher caminhos, mas nada é tão eficiente quanto observar o que ela está me dizendo com cada atitude. Respeitar o que ela diz por que ela é importante, por que o que ela sente é importante, por que a opinião e desejo dela serão ouvidos desde já, mesmo que nem sempre possa ser atendido. Depois de cada leitura sobre criação com vinculo, sobre os saltos de desenvolvimento e crescimento, tenho o exemplo vivo em casa e muito mais rico me dando tantas lições diariamente.

É essa menininha que está há 18 meses no meu mundo, nove destes dentro de mim, que vem me ensinando o que é mesmo isso de ser mãe. Ensina-me que essa tal intuição materna existe mesmo e se eu permanecesse atenta aos meus instintos e aos sinais dela perceberia, mesmo sem ler nada, tudo o que hoje eu conheço com nome e sobrenome através da leitura.

Mas foi ela mesma quem me mostrou esse caminho de pesquisa e descoberta. Depois de ler aquele “positivo” no resultado do teste de gravidez, de ouvir um coração tão forte batendo dentro de mim (e não era o meu) de ver aquela mãozinha aberta acenando e me dizendo: Oi mãe to aqui! É que tudo isso começou e hoje eu to aqui, lutando contra o modo usual, contra o modelo vendido (e tão bem comprado pela sociedade) de se criar uma criança. Percebo que a gente da tanta volta para cair em nós mesmos, para entender que somos animais também e que já nascemos sabendo como parir um filho, como cuidar e como criar.

Por que mesmo que todos digam que não tem manual para isso de ser mãe, se prestar atenção tem sim. Está nos nossos instintos e no instinto dos nossos bebês. Quando eles choram e a gente fica para morrer enquanto não consola e em tantas outras situações. Se ouvir nosso coração e observar nosso bebê, esquecer o que todos dizem sobre leite materno ruim, sobre viciar um bebê com colo e tantas outras coisas, poderemos então criar nossos filhos seguindo o manual que os acompanha desde sempre.

Porque mãe e bebê já nasceram prontos e nascem juntos para crescerem juntos!!!

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