Desfralde

OLYMPUS DIGITAL CAMERASempre fiquei imaginando como seria o desfralde ou quando ocorreria. Eu não tinha nenhuma referência disso, mesmo tendo acompanhado o crescimento do meu irmão de perto, só lembrava que ele havia desfraldado por volta dos dois anos. Então eu não lembrava dos detalhes, não lembro dele dando tchau para o cocô ou usando penico.

Eu não sabia como seria, mas me preparei como pude para esse dia tão esperado (especialmente por quem opta pelo uso de fraldas de pano). A escolha das fraldas de pano foi uma das escolhas feitas pensando no desfralde e foi  excelente nesse sentido. Geralmente o tempo médio do uso de fralda diminui em bebês que usam fralda de pano, pois o contato com as fezes e urina úmida no bumbum não é uma sensação agradável para nenhum ser vivente. Outro fator foi nunca deixar ela suja por muito tempo, pois acostumada a estar sempre limpinha, esse incomodo teoricamente seria ainda maior.

Bom, mas como eu já disse, tudo era teoria. Ela foi crescendo e realmente o incomodo com a fralda suja era evidente desde muito novinha, a única forma de ficar tranquila com a fralda suja era se algo muuuuuuuuito interessante a distraísse.

Quando completou um ano esse incomodo foi crescendo e ela aprendeu a reconhecer quando estava fazendo xixi e cocô, porém chamava os dois de xixi. Então percebi o primeiro sinal de que ela poderia desfraldar, imaginava que por ela já reconhecer os dois e avisar algumas vezes isso ocorreria bem rápido (ledo engano). Comecei a deixa-la de calcinha. Mil xixis no chão, avisados, porém nunca a tempo de ir ao banheiro.

O tempo foi passando e situação não evoluía, pesquisei muito, relaxei. Deixava a vontade, mostrava o que era xixi e cocô, tentava colocar ela para sentar no penico (ela tinha pavor), enfim. O inverno chegou e com o frio não dava para deixar ela molhar mil roupas todos os dias, então voltamos a usar fraldas diariamente.

O clima voltou a esquentar e ela continuava a avisar e chegou a fazer alguns xixis no penico nesse intervalo, o que era muito comemorado. Com o clima favorável voltei a deixar ela sem fralda durante o dia. Novamente mil xixis avisados no chão, continuava explicando que poderia sentar no penico igual a mamãe e quando eu ia ao banheiro ela queria ir e sentar também no penico, mas só ficava sentada milésimos de segundos, depois levantava e fazia tudo no chão.

Comecei a notar que ela estava prendendo o cocô quando estava nua, avisava, mas só fazia quando estava de fralda. Um dia ela estava no quintal comigo molhando as plantas, nua, já estava querendo fazer cocô, mas resolvi deixar sem fralda para ela fazer assim, tentei várias vezes colocar no penico, disse que poderia fazer no chão, mas ela estava segurando. Então, enquanto molhava as plantas a vontade veio com força e ela fez cocô. Aquela cena para ela foi terrível, ao ver seu cocô no chão ela se desesperou, queria que eu a pegasse imediatamente e na confusão pisou suas fezes!!!

Nunca imaginei que pisar no cocô poderia ser algo tão terrível. Mas para ela foi. Desespero total, ela gritava e eu gritava meu marido para que nos salvasse do cocô maldito grudado na sandália, pois ela não deixava eu fazer isso. Ai a coisa desandou. A hora do cocô virou um tormento, ela não queria mais fazer em lugar nenhum, nem na fralda. Gritava que ia cair no chão. Começou a prender mesmo e eu comecei a ficar preocupada e arrependida.

Bom, foi ai que toda a informação foi importante, a regra de ouro nesse momento foi: Paciência! Voltar atrás foi fundamental. Voltei para a fralda e conversei muito com ela. Expliquei que fazer cocô era normal, que todo mundo fazia, papai e mamãe também. Era um tal de ver o cocô de todo mundo e dar tchau, ver nosso cocô era uma alegria para ela. Na hora que a vontade vinha ela começava a dizer: Cocô é “nomal”, papai faz, mamãe faz! Passei a mostrar o cocô dela para ela e deixava participar do ritual de jogar cocô fora e dar descarga. Olhava o próprio cocô e avaliava o tamanho, o formato, se tinha milho, lentilha e etc.

Assim foi, com o tempo ela começou a ficar sem fralda, na hora do cocô eu colocava a fralda e ela fazia. Eu tentava lembrar ela antes do xixi para fazer no penico, mas a maioria era no chão mesmo. Os únicos lugares que ela não fazia xixi eram na cama, rede ou colchonete que temos na sala. Ela sempre saía desses lugares antes de fazer xixi e na soneca da tarde podia colocar ela para dormir nua, ela acordava quando estava muito apertada e não molhava a cama.

Nesse processo ela conseguiu me avisar algumas vezes do xixi, mas quando colocava no vaso ou penico ela não conseguia liberar, só depois quando já havia desistido o xixi vinha. Mas continuamos a colocar sempre que ela avisava, ou também a levávamos para ficar um pouco sentada e esperar o xixi chegar. Um belo dia rolou o xixi no vaso. Muita festa!!! Ela queria ir sempre, mas nem sempre dava tempo ou não conseguia soltar, então a maior parte do xixi continuava a ser no chão.

Mas o número de xixis no vaso foi aumentando e eu percebi que ela já estava aprendendo a soltar o xixi na hora certa. Então foi a hora de me policiar e lembrá-la de fazer xixi com frequência, pois quando ela lembrava já estava muito próxima de fazer xixi e na maioria das vezes não dava tempo de chegar no vaso. Assim o numero de xixis no vaso foi crescendo e era uma festa só!!! Queria mostrar para todos. O cocô continuava na mesma, quando dava vontade tinha que colocar fralda.

Então fui para a casa da minha mãe com uma menininha que fazia quase 90% dos xixis no vaso e cocô na fralda. Sabendo disso, me senti muito a vontade de deixá-la de calcinha, no mesmo ritmo da nossa casa. Resultado é que, no primeiro dia, ela fez TODOS os xixis no chão, na cama e onde mais ela estivesse. Bom, julguei que por estar num ambiente novo ela não estava preparada para continuar no mesmo ritmo. Então esse dia terminou de fralda, o dia seguinte quis seguir de fralda, mas ela se recusou.

Já acordou pedindo para tirar a fralda, eu tirei e ia colocar outra, mas ela não deixou. Pedi para me avisar o xixi e estava que nem sombra para ela não sair molhando a casa toda outra vez. Ela fez todos os xixis no vaso. Veio a vontade de fazer cocô, e ela disse que ia fazer no vaso. Em outras ocasiões ela disse que iria fazer cocô no vaso, sempre a encorajamos, colocava e nada acontecia, ela saia e eu dizia: Na próxima você faz filha.

Eu não neguei o pedido dela novamente, colocava no vaso toda vez que ela anunciava que faria o cocô no vaso. Mas ela não conseguia soltar e estava ficando irritada, pois estava  muito apertada. Então comecei a oferecer a fralda, ela se recusava, calcinha também nem pensar. Fomos no vaso umas 10 vezes e ela cada vez mais irritada. Então eu resolvi colocar a fralda contra a vontade dela, pois a irritação já estava muito grande e ela não conseguia comer ou dormir por conta disso. Falei que não tinha problema, poderia fazer na fralda ou onde ela quisesse. Coloquei a fralda e ela pediu para mamar.

Estava mamando quando de repente saltou do meu colo e correu para o banheiro, onde tirou a fralda e gritou que queria fazer cocô no vaso. Coloquei e ela fez!!!

Parece caduquice de mãe coruja e boboca, mas eu me emocionei com a determinação dela, e até hoje ao lembrar arrepio. Ela reconheceu o tempo dela, ela precisava dessa experiência, ela quis fazer o cocô no vaso por livre e espontânea vontade. Desde então ela fez poucos cocôs na fralda. Agora quase  todos os cocôs e xixis são no vaso e não usamos mais fralda durante o dia.

O lindo é como ela se orgulha, como se sente feliz por isso. Senta no vaso dizendo o que vai fazer e a ordem: Primeiro o cocô, depois o xixi e depois uhuuuuu (comemora)!!!

Maravilhoso como tudo foi no tempo dela e como foi importante recuar no momento certo. Entender que uma dificuldade é só uma dificuldade, ela pode ser vencida sempre, não importa o tempo que isso leve.

Maria está com 2 anos e 1 mês ainda usa fralda para dormir e para passeios longos. Muitas vezes acorda com a fralda seca e logo vou começar essa etapa do desfralde noturno. Ainda tenho dificuldade com o desfralde na rua, pois nem sempre temos disponíveis banheiros públicos minimamente limpos.

O aprendizado maior disso é que tudo tem um tempo certo para acontecer e se confiarmos nos nossos filhos eles saberão mostrar quando estarão prontos para evoluir. Muitos fatores podem ter contribuído para chegarmos aqui aos 2 anos e 1 mês de idade,mas o principal, com certeza, foi a paciência e o respeito pelo tempo dela.

Estou feliz e orgulhosa que tenha sido assim, no tempo dela. Todo esse processo foi um grande aprendizado.

Quem tiver dicas de como proceder para um desfralde completo, por favor comente, conte sua experiência, quero saber como foi com vocês!!!

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2 respostas a Desfralde

  1. maíra disse:

    Nossa, acho que daqui há uns meses passarei por isso, hehehe. Terei que esperar a primavera chegar pra iniciar este processo, em algumas partes do teu relato eu ri, sem faltar respeito. Pois é, imagino que deve ser mesmo um longo processo esse, e haja limpar casa e lavar roupa, hehehe. beijos

    • Debora Daltro disse:

      E tem como não rir?! O importante é estar conectado e recitar o mantra enquanto estiver limpando a sujeira: Vai passar!!! Depois realmente passa e ficam a lembrança e a graça de cada situação!!

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