11 meses

Essa é a cara da traquinagem. Olha a alegria por mexer em algo novo!!!

Hoje você completou 11 meses, está cada dia mais intensa em suas descobertas do mundo.  Esse ultimo mês foi um dos mais alegres da sua vida, com saltos muito discretos de crescimento e desenvolvimento sem nenhuma intercorrência maior, possibilitou viver esses dias plenamente.

Continua aprendendo a andar e a cada dia está mais segura nos seus passos, mas ainda não quer soltar a nossa mão ou qualquer  coisa que utilize para se apoiar. As vezes arrisca se soltar e hoje fez isso e deu dois passos, mas logo senta no chão e continua engatinhando.

Esse mês você tomou seu primeiro banho de rio, entrou na água espontaneamente adorou a experiência e agora não pode ver água correndo que acha que pode entrar e tomar banho, até água correndo nas calçadas é rio para você!

Aprendeu a admirar a chuva, e toda vez que está chovendo quer sentar na janela e tentar molhar a mãozinha nos pingos que caem.

Adora olhar a lua  e quando vê aponta e diz: luuuuuuuuuua! Aprendeu a falar chuva = uva, Cobra = boba, banana = bama, cavalo = auau. Acho que cavalo é uma palavra muito grande é mais fácil chamar de auau.

Hoje segurou minha mão, ficou olhando detalhadamente e falou bem sonora e demoradamente: mãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!

Rua tem sido uma das palavras que mais gosta, aponta a janela e diz rua, para que a gente te leve para olhar o movimento lá fora.

E quando pergunto: Vamos passear? Você responde: Bó! Vamos comer papinha? Você: Bó!

Quando perguntamos: Cadê vovó você coloca a mão no ouvido como se fosse telefone e diz: aôô! Afinal só fala com as avós por telefone.

Quando a levamos para passear na beira do rio é uma alegria só, fala com todo mundo, tenta correr atrás das crianças, conversa, ri, dá tchau, manda beijo e quase sempre volta para casa dormindo.

Sabe o que pode e não pode mexer, mas ainda é pequena demais para controlar o impulso de mexer, então a mamãe e o papai têm que ficar de olho. Mas sempre que vai mexer em algo que não pode olha para a gente e ri, parece que se pergunta: Será que dessa vez eu consigo???

Sabe embalar a boneca para dormir e embala qualquer coisa que estiver na mão se ouvir a canção nana neném. Adora ouvir musica e bate palma nas que mais gosta.

Tem revelado ter ótimo gosto musical, adora Vanessa da Mata e até já aprendeu uma musica: tomar um banho de chuva…Ai ai ai ai ai ai!!! Coisa mais gostosa cantando o ai ai ai no ritmo certinho! 

Imita tudo o que fazemos, se pegamos um pano para espantar mosquitos, por exemplo, procura logo um pano para fazer o mesmo.

É tão emocionante te ver crescer filha e também divertido. Nossos dias não poderiam ser mais alegres.

Te amamos!

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Postagem Coletiva: VIOLÊNCIA NO PARTO – A VOZ DAS BRASILEIRAS

Quando engravidei fui à busca de informações sobre parto na internet e um mundo novo se revelou para mim. Já tinha certeza que queria parto normal, mas não sabia dos procedimentos desnecessários, do desrespeito, da falta de afeto no tratamento hospitalar com mãe e bebê. Foi nessa ocasião que conheci uma realidade que foge a maioria das pessoas, uma verdade que só quem pode ver é quem está dentro de uma maternidade a caminho de um parto.  Conhecer isso foi assustador e ao mesmo tempo revelador.

Através dessa pesquisa conheci o parto natural e humanizado. Comecei a busca por um obstetra humanista, coisa rara em Salvador. Encontrei pessoas maravilhosas que fazem trabalhos fantásticos, conheci pessoas fantásticas que trabalham pela humanização e respeito ao nascimento. Pessoas que acreditam no poder e força da mulher.

Minha filha nasceu de forma humanizada e respeitosa numa Casa de Parto que atende pelo SUS. Lá fui acolhida e amparada, todos os meus desejos foram respeitados, fui acompanhada o tempo todo pelo meu marido, minha mãe e minha sogra. Recebi apoio e carinho no momento mais importante da minha vida e nunca vou esquecer. Neste lugar também minha mãe foi acolhida, pois ela não estava preparada para ver a filha parir.

Minha mãe foi vitima dessa violência quando eu nasci. Um erro médico quase resultou em minha morte. A plantonista nessa ocasião duvidou da idade gestacional que minha mãe havia informado (8 meses) e induziu o parto estourando a bolsa. Horas depois outro plantonista constata que o bebê estava em sofrimento e que era necessário uma cesária com urgência. Quando nasci levei vários tapas para chorar e fui colocada no balão de oxigênio enquanto minha mãe chorava e gritava que tinham matado o bebê dela.

Minha mãe ao me ver em trabalho de parto por 12 horas achou necessário intervirem. Para ela o soro poderia me ajudar. Ela considerou absurdo não terem feito nada por mim.  Ela queria acabar com minha dor e temia por sua neta que passou 4 horas dentro da barriga depois de estourada a bolsa. Ela reagiu dessa forma, pois apesar da história dela ser diferente da minha, era a história dela que ela tinha como referência. Tinha como referência também a história de parto de diversas amigas, irmãs e cunhadas que passaram por intervenções e por cesarianas desnecessárias, mas no final todos estavam vivos.

Quando pergunto para mulheres se no seu parto foi cortada (sofreram episiotomia), se colocaram soro entre outras coisas, a maioria responde que sim. E se eu pergunto como foi essa experiência a maioria me dá uma resposta evasiva. As vezes sai um “foi bom” inconsistente que denuncia o desconforto dessa lembrança. Essas mulheres muitas vezes não sabem que foram vitimas de violência, na verdade elas nem imaginam. Todas elas acreditam, assim como minha mãe, que o que elas passaram foi necessário e seguem em frente sem pensar muito no que aconteceu, mesmo porque relembrar dói.

A violência tem terreno fértil para se enraizar, pois as mulheres ignoram sua existência e os meios pelos quais ela ocorre.  Acreditam que todas essas intervenções são necessárias, apesar de sofrerem com isso.  No final do meu parto, quando a médica estava suturando a pequena laceração que tive, minha mãe me disse: “Tá vendo, teve que levar ponto do mesmo jeito, se tivesse cortado teria sido mais rápido.”

A violência obstétrica acontece de forma velada e permeia todas as classes sociais. A diferença é como ela é cometida.

Se a mulher tem assistência particular quase sempre é induzia a uma cesária alegando algum “defeito” no seu corpo ou no bebê que impede o parto vaginal. Quando a mulher depende da assistência publica essa realidade pode ficar ainda pior. No SUS o parto normal é prioridade e essas mulheres sofrem todo tipo de indução para parir o mais rápido possível.  Sofrem não só com as diversas intervenções, mas também com a humilhação e total abandono, pois muitas vezes, nem o direito de ter um acompanhante (que é garantido por lei) é respeitado. Nessas mulheres ficam as marcas físicas e emocionais de um tratamento desumano no momento em que deveriam ser acolhidas.

Quantas mulheres passam pelo momento mais especial de suas vidas de forma traumatizante? Quantas já se questionaram silenciosamente o porquê de estarem se sentindo tristes mesmo tendo em seus braços o grande amor de suas vidas? Quantas transmitem para outras mulheres do seu convívio os horrores vividos no parto como sendo algo do qual nenhuma poderá escapar, um mal necessário?

Essas mulheres precisam ter voz, precisam ser ouvidas para que essa realidade mude e outras mulheres não precisem passar por isso. A mulher brasileira precisa recuperar o protagonismo, lutar por melhores condições de assistência ao parto. Para isso precisamos informar e mostrar que existe outro caminho.

Desrespeito e violência não combinam com nascimento. Quem passou por isso precisa ter voz.

Foi pensando nisso que um grupo de mulheres começou a organizar uma série de ações via internet que visam informar e denunciar esse tipo de violência. Como resultado dessas ações houve duas Blogagens Coletivas que envolveram mais de 100 blogs, além das marchas que mobilizaram mulheres no Brasil inteiro em prol do parto domiciliar e humanização do parto. Agora uma nova mobilização convida as mulheres que sofreram desrespeito no nascimento de seus filhos a contar esse momento através de um vídeo.

Essa é uma oportunidade de fazer essa violência sair dos corredores das maternidades e ganhar visibilidade. Vamos promover uma discussão e levar informação ás mulheres que permanecem acreditando que isso é apenas um procedimento, um mal necessário.

Divulgue, convide outras mulheres a participar, mande seu vídeo contando sua história.

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10 meses – é muito amor gente!!!

Um mês atrás você começou a engatinhar, foi dia 10 de setembro, tinha acabado de completar nove meses. Fazia isso contra a vontade, parece que tem pressa para chegar onde quer. Para fazer você engatinhar a mamãe teve que engatinhar também. Fazia graça, imitava cachorrinho, gatinho e me afastava de você para que você me seguisse. Deu certo, mas era uma choradeira no início, não gostava mesmo, fazia resmungado e qualquer oportunidade que tinha pegava em nossa mão e saia andando. Andar sim sempre foi uma coisa divertida, desde os cinco meses que colocávamos você em pé nos nossos pés e saiamos andando e você ria muito disso. Depois aprendeu a dar passadas, começou a quase correr com passadas bem largas. E desde então você está treinando, cada dia mais independente e mais equilibrada, já anda apenas apoiada em uma das mãos da mamãe ou do papai. Levanta-se rapidamente apoiada nos móveis e anda para lá e para cá.

O papai e eu estamos começando a soltar você de vez em quando, quando sentimos que você está segura. Nestas ocasiões você se joga, senta, tenta engatinhar. Ainda tem medo de que soltemos suas mãos. Mas hoje o papai te soltou e você deu mais de cinco passadas sozinha e superequilibrada, ainda deu uma paradinha antes de desequilibrar e ser amparada outra vez pelo papai.

Vi nos seus olhos a alegria desse momento. Você deu um sorrisão como se tivesse comemorando esse grande feito. Tanto tempo treinando né filha? De fato quem mais se emocionou foi a mamãe aqui. Nunca imaginei que seria tão emocionante esse momento. Fiquei pensando nisso por um tempo. O que representa andar para nós seres humanos? Fazemos isso tão rotineiramente que às vezes não pensamos na importância desse exercício.  Começar a andar sempre é um marco no desenvolvimento dos filhos e com certeza é mais um dos muitos cordões cortados nesta relação. Observar seu desenvolvimento e a aquisição dessas habilidades mexe com a gente de uma forma que nunca imaginei antes. Meu bebê está ganhando o mundo ao seu redor, agora tem liberdade de andar, de explorar espaços que antes não poderia explorar no meu colo e aos poucos está deixando de ser bebê. Agora, mais do que antes, você vai me mostrar um novo mundo, vai me levar a lugares que antes eu não imaginava ir, ou vai me fazer ver o mundo sob sua perspectiva.

Quando aprendemos a andar aprendemos também a escolher, você já estava aprendendo a escolher antes, mas agora e cada dia mais você terá domínio sobre suas escolhas. E eu estarei aqui, assistindo o espetáculo que é ver uma vida sair de dentro de você e ganhar o mundo. Conduzir essa vida por esse mundo e ajudar nas escolhas que fará. É, com certeza é mais complexo do que eu imaginava, mas é também mais doce e encantador do que eu poderia prever.

Ainda falta um pouco para dizer que você realmente aprendeu a andar. Não sei quanto tempo vai levar para você se tornar totalmente independente das nossas mãos para te guiar, mas isso não importa, eu estou aqui para assistir, vibrar e te ajudar.

Outra habilidade que você está desenvolvendo agora é a fala. Basicamente sabe falar 4 palavrinhas: mamãe, papa, au au e ga = gato. Mas tenta imitar o som de todas as coisas que a gente fala para você e entende tudo o que falamos.  Esses dias me veio com uma superengraçada, eu convidei você para tomar banho e emendei o convite com a musica do comercial: vamos tomar um banho gostoso pra xuxu, xuá xuá… e você completou: uh uh! Foi muito espontâneo.

Também tem feito várias outras coisas como fugir para o colo da mamãe. Quando eu falo para o papai te pegar agora você corre e me abraça e fica dando risada, como se tivesse fugindo do papai. Aprendeu a abraçar a mamãe bem forte em várias situações, quando está com medo, com sono, quando deseja o colo da mamãe e consegue, quando não quer mais papinha. Aprendeu também a beijar o rosto da gente e principalmente a mandar beijo bem sonoro: hummmhaaaaa. Tem expressado cada vez mais emoções de alegria, dando gritinhos e batendo palminha quando uma coisa te alegra. Quando quer pegar o gato fica agitada e não sabe se dá tchau, chama, bate palma, levanta os braços com as mãos fechadas com uma expressão de força, manda beijos. Quando o cachorro da vizinha late você diz auau e quer ir ver.

De uma coisa estou certa, sabe e comunicar. É receptiva com as pessoas na rua e muitas vezes, vai ao colo e examina a pessoa toda, se for mulher, cuidado com brincos e colares, pois quer pegar tudo. Você não vai muito ao colo de homens, exceto Tio Léo, não o tio Léo meu irmão, tio Léo amigo da mamãe e do papai. Você simplesmente o adora, e toda vez que ele aparece você se joga nos braços dele e não quer mais sair.

Enfim, esta linda e muito esperta minha boneca. Tão inteligente que deixa a mamãe boba e toda cheia de orgulho. Te amo minha boneca, que venha mais e mais meses e que eu possa proporcionar sempre ambiente ideal para você crescer feliz e saudável.

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Cadê o manual?

Na sua piscina de bolinhas de soprar.

Sempre achei a idade entre sete e nove meses a melhor dos bebês. Muita novidade! Eles ficam ligados a tudo que está acontecendo e começam a interagir com o mundo a sua volta. Querem cada vez mais experiências e busca isso todo o tempo. Desde os sete meses meu bebê se transformou. Chegou a fase de ir para o chão e explorar esse mundo novo, de uma nova perspectiva, observando-o à sua altura.

Nunca tinha observado essas mudanças tão de perto, mesmo com Léo, que cuidei pessoalmente como se fosse mãe, hoje percebo que se fosse mãe dele teria sido uma mãe muito relapsa. Também pudera, era apenas uma adolescente e irmã mais velha, minha mãe sempre cuidou para que a responsabilidade não recaísse totalmente sobre nós, para que pudéssemos viver nossa juventude com liberdade.

Então me lembro de muitas coisas sobre Léo, lembro, por exemplo, que ele começou a andar com quase onze meses, lembro que falou muito cedo, mas não lembro exatos detalhes e idade de todas as coisas. E sobre essa fase entre os sete e nove meses eu lembro pouco, lembro-me dele, mas não sei exatamente a idade em cada recordação. Então fiquei com referências cortadas sobre essa idade, mas sempre achei que essa era a fase mágica de todo bebê.

E não estou errada. Nesse momento começo a perceber minha filha decidindo, escolhendo, tomando posse do mundo a sua volta. Parece que agora, com nove meses, ela está começando a cortar o cordão, não totalmente, pois ainda é meu bebê chiclete, mas começa a interagir no ambiente a sua volta e a expressar seus desejos cada vez mais claramente. E cada descoberta minha sobre ela e dela sobre o mundo é como se eu percebesse, cada vez mais, aquele bebezinho indo embora e dando lugar a uma menininha linda e inteligente.

É assim quando ela quer ir para a rua, quando ela quer descer do colo e andar por ai (mesmo sem saber andar ainda, exigindo que a mamãe ou o papai ande também), quando ela se recusa a engatinhar mesmo sabendo engatinhar. É ela quem decide se vai comer com colher sozinha, com colher com a mamãe ajudando ou vai beber a papinha porque está muito gostosa (acredito)! Comer é algo que deve ser prazeroso então ela deve comer como acha melhor comer. Ficar deitada para trocar fralda é perca de tempo! Tem tanto para ver e explorar no mundo, não é mesmo? Então tenho que criar e me recriar a cada dia, inventando uma forma nova de trocar esse bebê ávido por novas experiências sem que isso pareça chato e rígido demais. Porque trocar a fralda deitada se podemos trocar sentada?

Tem sido assim, ela inventa eu adapto e seguimos juntas aprendendo uma com a outra diariamente. Tenho lido muito sobre educação, criação e tudo relacionado com a maternidade consciente. Tudo o que leio me ajuda muito a tomar decisões e escolher caminhos, mas nada é tão eficiente quanto observar o que ela está me dizendo com cada atitude. Respeitar o que ela diz por que ela é importante, por que o que ela sente é importante, por que a opinião e desejo dela serão ouvidos desde já, mesmo que nem sempre possa ser atendido. Depois de cada leitura sobre criação com vinculo, sobre os saltos de desenvolvimento e crescimento, tenho o exemplo vivo em casa e muito mais rico me dando tantas lições diariamente.

É essa menininha que está há 18 meses no meu mundo, nove destes dentro de mim, que vem me ensinando o que é mesmo isso de ser mãe. Ensina-me que essa tal intuição materna existe mesmo e se eu permanecesse atenta aos meus instintos e aos sinais dela perceberia, mesmo sem ler nada, tudo o que hoje eu conheço com nome e sobrenome através da leitura.

Mas foi ela mesma quem me mostrou esse caminho de pesquisa e descoberta. Depois de ler aquele “positivo” no resultado do teste de gravidez, de ouvir um coração tão forte batendo dentro de mim (e não era o meu) de ver aquela mãozinha aberta acenando e me dizendo: Oi mãe to aqui! É que tudo isso começou e hoje eu to aqui, lutando contra o modo usual, contra o modelo vendido (e tão bem comprado pela sociedade) de se criar uma criança. Percebo que a gente da tanta volta para cair em nós mesmos, para entender que somos animais também e que já nascemos sabendo como parir um filho, como cuidar e como criar.

Por que mesmo que todos digam que não tem manual para isso de ser mãe, se prestar atenção tem sim. Está nos nossos instintos e no instinto dos nossos bebês. Quando eles choram e a gente fica para morrer enquanto não consola e em tantas outras situações. Se ouvir nosso coração e observar nosso bebê, esquecer o que todos dizem sobre leite materno ruim, sobre viciar um bebê com colo e tantas outras coisas, poderemos então criar nossos filhos seguindo o manual que os acompanha desde sempre.

Porque mãe e bebê já nasceram prontos e nascem juntos para crescerem juntos!!!

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Semana Mundial da Amamentação – Amamentar hoje é pensar no futuro

 

Teve início ontem, primeiro de agosto, a Semana Mundial de Amamentação em mais de 170 países. O objetivo é promover a conscientização social a cerca da importância desse ato e contribuir para a diminuição da mortalidade infantil.  A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que  a morte  de uma em cada três crianças  antes do cinco anos de idade é devido a má nutrição e defende o aleitamento exclusivo até os 6 meses de idade e, depois disso, que a mãe ofereça outros alimentos e continue amamentando até os dois anos ou mais.

Infelizmente, a despeito da OMS e do Ministério da Saúde,  ainda ouvimos diariamente relatos de mães que não amamentam. Algumas por escolha, outras porque realmente não tiveram sucesso, mas a grande maioria é por ignorar métodos simples que facilitam a amamentação e por serem mau orientadas. Abaixo segue alguns  conselhos para que as futuras  mamães possam amamentar com tranquilidade.

1. Durante a gravidez converse com o marido (ou namorado) sobre a importância do aleitamento materno. Se precisar apele para o bolso, uma criança amamentada no peito raramente fica doente e o leite artificial é muito caro além de não ter todos os nutrientes que o bebê precisa para crescer forte e saudável.

2. Ainda durante a gravidez, converse também com sua família, especialmente as pessoas mais próximas, fale sobre sua escolha, explique os benefícios de amamentar exclusivamente até os seis meses. No Chá de Bebê (se fizer) não inclua mamadeiras de nenhum tipo. Assim você não estimula ninguém a comprar e a pessoa que daria o presente não vai ficar ansiosa para ver o bebê usando.

3. Se seu peito não tiver bico, exercite desde a gravidez, não hidrate o bico e passe sempre uma esponja vegetal, assim a pele vai ficando mais resistente evitando as rachaduras. Porém o mais importante é a pega do bebê e como ele larga o peito depois da mamada. Explico isso em seguida.

4. A OMS aconselha que o bebê seja amamentado no máximo até uma hora depois do nascimento. Infelizmente nem todos os hospitais permitem essa prática, mas peça para amamentar seu bebê assim que ele nascer. Se precisar converse antes com seu médico sobre isso.  O colostro, leite mais grosso e amarelado que começa a ser produzido no final da gestação, é rico em anticorpos e é muito importante que o bebê tome esse leite o quanto antes.

5.  Aprenda a amamentar. Assista videos, leia livros, converse com pessoas mais experientes, observe outras mães amamentando. Uma mãe bem informada terá mais sucesso na amamentação. Amamentar não dói. Se o bebê sugar e doer, comece de novo. Tente quantas vezes for necessário até que a posição ideal seja encontrada. O bebê deve abocanhar toda a parte escura do seio (mamilo), espere ele abrir a boca o ajude a colocar essa parte toda dentro. Se precisar trocar de peito ou quiser tirar o bebê do peito quando ele dormir o ideal é colocar o seu dedo minimo no canto da boca do bebê e pressionar seu mamilo para dentro, tirando assim o vácuo que é formado entre seu peito e a boquinha enquanto ele está mamando. O ideal é deixar ele largar o peito naturalmente, assim ele mesmo desfaz o vácuo e seu peito estará protegido de rachaduras.

6. Tenha paciência. O leite mesmo só chega no terceiro dia e depois de muitas horas amamentando. É a sucção do bebê que vai estimular a produção. Mães que foram submetidas a cesárea podem demorar um pouco mais de ter leite. O ideal é que o bebê passe o tempo que ele quiser no peito, mamando o quanto desejar. É cansativo mesmo, por isso o melhor lugar para o bebê dormir é na cama com a mãe, assim enquanto ele passa horas mamando você tira uns cochilos e se sente melhor.

7. Corra dos pediatras que aconselham mamadas com hora marcada. Seu bebê passou nove meses morando num lugar quentinho, confortável onde ele não sentia fome! Quando ele chega a esse mundo tem que lidar com várias situações e sentimentos estranhos além da fome! Ai vem um maluco que acha que seu filho vai ficar mau educado se não mamar na hora certa!!! Dê o peito sempre que o bebê solicitar. Ele não vai ficar mau acostumado, não vai ficar viciado, não vai achar que a mãe é escrava dele. Ele apenas vai se sentir amado, aceito e confortável nesse novo mundo. Lembre-se que peito não é só alimento, é carinho, afeto, remédio, consolo. O bebê não tem só necessidade de comer e ter as fraldas limpas, colo e peito são demonstrações de afeto necessárias ao bom desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças.

8. Mostre para as avós e outras mulheres da família que entende a história delas, que acredita que para elas foi difícil amamentar, mas peça com carinho que entenda sua escolha também. Explica que não vai dar leite de vaca porque seu leite foi feito na medida certa para o tamanho do seu bebê. O bebê da vaca é bem maior o leite dela é adequado ao porte do seu filhote.

9. Se o bebê tiver cólicas e chorar muito por isso, sei que é fácil perder o controle e entrar em desespero aceitando qualquer coisa para aliviar logo a dor do nosso pequeno. Mas tenha calma e esfria a cabeça. Lembra de tudo o que você leu até aqui, não vai estragar agora. Nessa hora de desespero sempre aparece uma mamadeira com chá! O melhor remédio para a cólica do seu bebê é seu leite e uma mudança na sua alimentação. Outro santo remédio é o calor do seu corpo e exercícios nas perninhas de vai e vêm. Minha filha relaxava muito no banho de ofurô e ela quase não tinha cólicas. Carregar o bebê no sling também é excelente. O importante é nunca recorrer aos chazinhos das vovós por mais lindas e bem intencionadas que elas sejam.

10. Não existe leite fraco e mulher com pouco leite. Toda mulher produz o leite ideal para seu bebê, isso porque quem regula a produção é ele próprio com a sua sucção. Se o bebê mamar quantas vezes desejar e o tempo que desejar não tem porque se preocupar. Cada criança tem um ritmo, alguns demoram horas mamando, outros mamam rápido, bem como alguns adultos são lentos para comer e outros comem rápido. Não existe um padrão, não queira encaixar seu filho num padrão estipulado pelo ritmo de outra criança.

11. Se você não conseguiu licença maternidade de 6 meses você tem duas opções: A primeira é organizar a vida para voltar ao trabalho e deixar leite. A segunda, depende da sua situação financeira, seria sair do trabalho. Eu escolhi a segunda por vários motivos, além de querer amamentar minha filha. Mas se você não puder fazer essa opção se informe sobre como armazenar leite e fazer a ordenha. Assim seu bebê poderá desfrutar dos benefícios do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e você poderá trabalhar tranquila.

12. Essa é para a família. Tudo o que o bebê e a mãe precisa é de tranquilidade e apoio nesse momento. Carinho e palavras de incentivo são muito importantes. Por isso, se informe também, todos querem o bem desse novo ser que está chegando e o melhor para ele é o leite da mamãe. Deixe que ele mame o tempo que quiser e quantas vezes quiser.

O importante é ter sempre em mente que amamentar é o ato de amor mais importante que você fará por seu filho.

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O mundo encantado dos livros

Desde a gravidez penso em ler histórias para Luiza. Não tive muito tempo e o acesso a livros infantis foi pequeno nessa fase.  Ainda na gravidez comprei dois livrinhos, mas a história é voltada para crianças a partir dos dois anos então estes foram guardados esperando o momento. Mas agora ela ganhou três livrinhos da tia Carol: Chapeuzinho Amarelo, Festa no Céu e Adivinha o quanto Eu te Amo. As três histórias também voltadas para crianças maiores. Mas resolvi ler assim mesmo. Inicialmente achei que ela não fosse se interessar, pois as histórias são compridas para a idade e exigem um tempo de concentração. A surpresa é que ela simplesmente amou a Chapeuzinho Amarelo, também pudera, escrita por Chico Buarque e ilustrada por Ziraldo. Uma história ótima e bem divertida. Ela presta atenção durante toda a história e sorri muito na parte em que o lobo tenta fazer a chapeuzinho voltar a ter medo dele! Quando a história acaba ela quer que eu repita.

Um outro livro que ela tem é Hora da Diversão do Bebê, esse já é mais voltado para a idade dela. É um livro interativo, bem colorido e com paginas de papelão, neste as crianças são estimuladas a procurar os personagens e quando os encontra podem sentir através do toque as diferentes texturas nas fotografias vazadas e preenchidas em tecidos diferentes. Ela também adora esse livro e está sempre mexendo nele. Tem também um livro de pano, a história é curtinha e é bom, pois esse ela pode manipular a vontade.

 Por enquanto os brinquedos dela são arrumados no tapete de EVA no meio da nossa sala. Deixo todos os brinquedos disponíveis e os livros ficam nesse mesmo lugar. Ela pode pegar os livros quando quiser, nós apenas vamos orientando para que ela não coloque na boca e ensinamos como virar a pagina com cuidado para não rasgar as folhas. Nem foi preciso muito tempo e  ela já vira a folha direitinho. Quanto a colocar na boca é mais difícil, pois como ela ainda está na fase oral tudo vai para a boca. Mas a gente vai dizendo que não pode e ela quando vai colocar já olha logo para a gente, já sabe que vamos alerta-la. O importante é que o acesso aos livros e brinquedos seja fácil, assim também será fácil associar o prazer de brincar com o prazer de ler e futuramente brincar de ler e ler com prazer.

Bom, eu já decorei a história da Chapeuzinho Amarelo todinha! E adoro contar quantas vezes ela solicita, melhor ainda é  ver a reação dela. Os outros livros são muito bons também, ela também gosta de ouvir as histórias. Só faço uma ressalva ao livro Festa no Céu, a história é ótima, uma lenda do nosso folclore, mas a ilustração com um pássaro indo para a festa com a garrafa na “mão”, depois na festa segurando uma garrafa e um copo, perdendo o copo na sequência, tropeçando de bêbado mais tarde e finalmente caído no chão abraçado a uma garrafa no final da festa é o fim da picada!!! Nota zero para o ilustrador!!! Esse tipo de realidade não deve ser colocada num livro infantil,  não dessa forma.

O  mágico é ver minha pequena, tão pequena ainda, já encantada com o mundo das letras!

 

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Espelho

Todas as tardes ofereço uma frutinha. Hoje foi laranja lima.

Descasquei e ofereci uma das metades, ela recusou.

Tentei fazer ela experimentar, ela travou os lábios e virou o rosto.

Então resolvi não insistir.

Sentei no chão com ela, peguei a outra metade e comecei a chupar, sem oferecer.

Ela observou, pegou sozinha a outra metade e começou a chupar.

Conclusão: preciso comer mais frutas com ela.

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Viagem

Com seis meses e meio fomos passar uns dias na casa da vovó Nilza. Essa viagem foi cheia de expectativas por parte da mamãe. Achava que você poderia estranhar, que ficaria hiper grudada na mamãe.

Mas como sempre você me surpreende, foi mais que uma delicia essa viagem com você. Um show de simpatia e sorrisos.

A viagem é longa. De ônibus até Salvador são quase 7h de viagem e de lá até Itabuna mais 7 horas. Para não ficar tão cansativo para você, fiquei um dia descansando na casa da vovó Ana antes de ir para Itabuna. No ônibus na ida para Salvador você dormiu bastante e quando acordou observou tudo a sua volta. Ficou um pouco chateada no final da viagem, pois queria que a mamãe levantasse, mas ainda bem que já estávamos chegando. Em Salvador foi só sorrisos com o vovô Avelar e a vovó Ana. A viagem para Itabuna foi a noite e você dormiu durante todo o tempo, só acordando no taxi a caminho da casa da vovó Nilza.

Chegamos e foi só festa, você me surpreendeu em todos os momentos. Não estranhou ninguém e ia no colo de todo mundo. Teve um entrosamento impar com a vovó Nilza, se comunicando através de gritinhos que trocavam durante todo o dia. Quase todas as manhãs a vovó pegava você e ia tomar sol na garagem, onde você ficava brincando de escalar a grade. Foi maravilhoso vê-las juntas.

Você conheceu as pessoas mais velhas da nossa família, Bisavô Adriano, Tio Bisavô Jonas e Tia Bisavó Ziza. Todos adoraram te conhecer e ficaram surpresos, pois você sempre estava sorrindo e ia no colo de todos.

Lá na casa da vovó você me surpreendeu bastante também porque aprendeu muitas coisas em pouco tempo e seu comportamento mudou muito. Logo de início começou a fazer carrinho com a boca cuspindo tudo! Começou a dar mais gritos e demorava para pegar no sono, pois tudo te chamava atenção. Aprendeu de repente a bater palminha, o que foi um momento surpreendente para a mamãe que até se emocionou.

A mamãe realmente não esperava tantas novidades. Você curtiu muito essa viagem que teve um clima maravilhoso. Visitamos muita gente, você conheceu várias amigas da mamãe, viu muitos de seus primos e parentes. Esteve com suas titias Carol e Juli e com seu titio Léo. Curtiu bastante sua madrinha Vanessa. Com todos esteve tranquila e todos ficaram encantados com você.

E depois de tantos momentos bons só uma coisa incomodava, era a saudade cada vez maior do papai que ficou na nossa casa em Lençóis sozinho. Ao mesmo tempo que eu desejava ficar mais um pouco dava aquele aperto no peito de vontade de voltar logo e mostrar como você se desenvolveu rápido em tão poucos dias. Acho que a mamãe vai viver a vida assim: aqui com saudade de lá e lá com saudade daqui.

Na volta os momentos mais difíceis, se despedir da vovó Nilza, da Tia Carol e do Tio Léo. Mas mesmo assim com o coração cheio de alegria por ter vivido momentos tão maravilhosos e especiais.

A viagem de volta a Salvador foi tranquila e você dormiu a noite toda. Ficamos dois dias na casa da Vovó Ana para descansar e fazer uma consulta de rotina no dermatologista para então voltar para casa. Na casa da vovó você deu mais um show de esperteza, com seus gritos e sua curiosidade encantou a todos. Lá você conheceu Cintia, prima do papai que está grávida de Sophia e a Tia do papai  Vilma. O momento mais engraçado foi sua conversa com Sophia, quando você abraçava a barriga e gritava bem alto, tão alto que Sophia se remexia toda! Tia Maíra se surpreendeu com seu desenvolvimento!

Finalmente a viagem de volta para casa também foi muito tranquila, mas muito engraçada, você estava elétrica e resolveu acordar o ônibus todo com seus gritos e a mamãe tentando fazer você deixar os pobres passageiros dormirem. Ainda bem que era dia! Você ensaiou papai a viagem toda e eu imaginei que você iria dar esse presente para ele. Chegando em casa você estranhou um pouco, estava cansada, precisando de um banho e um bom soninho. Quando acordou foi com a alegria de sempre. No dia seguinte, já reconhecendo a casa me fez uma bela surpresa. Estava lavando a louça e você estava no colo do papai, querendo chamar minha atenção gritou MÃ! Juro que fiquei geladinha dos pés a cabeça. Foi muito lindo!!! Mais tarde me chamou outra vez de MAMA. Fiquei surpresa porque achei que você iria chamar papai primeiro. Mas não tardou e no mesmo dia a noite você chamou PAPA!! Para alegria geral da nação de papais babões!!!

Agora toda vez que você fala papa ou mama é uma alegria só! Fica os dois com cara de besta babando a cria. Linda, Linda, Linda!!!

 

Só para ficar registrado:

Bateu palminha dia 4 de julho,

Falou MÃ pela primeira vez dia 14 de julho e PAPA no mesmo dia.

Agora as vezes sai um PAMÃ ou MAPAPA. Mas a verdade é que é bem mais raro o MAMA, vem com força mesmo na hora do desespero, PAPA é sempre na hora da brincadeira e sai sempre que tem vontade! Ponto para ele! Ele merece!!!

 

 

 

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Dentes

O primeiro dentinho saiu aos 5 meses no dia do aniversário da mamãe. Foi um presentão. Você ficou enjoadinha a semana toda e já dava para perceber que era o dentinho que estava chegando, pois a gengiva estava inchada. A mamãe ficava coçando a gengiva durante a limpeza e você adorava. Dois dias depois do primeiro veio o segundo e você melhorou. Ai vieram as mordidas no peito, você não tem noção de que esses dentinhos afiados causam tanta dor! A mamãe tomou bons sustos e acabou te assustando algumas vezes com os gritos de dor.  Sempre que você mordia a mamãe explicava que isso doía muito e pedia para que você tivesse cuidado. Mais rápido do que imaginei, você aprendeu a mamar sem morder e está tudo perfeito.

Agora estou notando que os próximos dentes vão sair e parece que não serão os dois de cima, pois a gengiva do lado inferior direito está inchada e você tem ficado com o dedinho nessa região. Está apresentando os mesmo sintomas da primeira vez além de estar fazendo cocô mais mole do que o normal.

Momento de cuidar ainda mais da higiene bucal para que os dentinhos permaneçam saudáveis até a chegada dos definitivos. Importante limpar todos os dias com a escova de silicone ou usando uma fralda limpa.

Agora é esperar os próximos dentinhos e torcer para que esse processo seja o menos doloroso possível.

 

 

 

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Banho humanizado, dicas de banho em recém – nascidos e benefícios do ofurô baby

Primeiros banhos.

Mãe de primeira viagem na maioria dos casos têm muitas inseguranças com relação ao banho do bebê.  O primeiro banho geralmente é no hospital e é dado por uma enfermeira. Salvo as exceções, essa  profissional pega a criança com a  admirável habilidade dos que pegam uma roupa suja, ou um frango depenado. Sacode  a criatura de todas as formas enquanto este chora em completo desespero! A “expert”  ainda faz isso com aquele ar de superioridade mostrando o quão hábil é no traquejo com roupas sujas e frangos depenados – vulgo bebê! Infelizmente eu tive o desprazer de assistir essa cena algumas vezes em visitas nos hospitais onde amigas e tias minhas haviam tido seus bebês. Além de tratar a criança como um objeto sem importância, essa pessoa também esquece muitas vezes de dar orientações para as mães sobre o banho. Após esse momento traumático, principalmente para o bebê, voltamos para casa com essa missão diária – dar banho no bebê!

Eu particularmente tinha pavor de imaginar o banho no hospital e esse era mais um motivo para não querer parir em hospital algum, queria parir em casa onde eu ou minha mãe poderiam dar o primeiro banho com todo carinho. Mas como já contei aqui o parto em casa não foi possível e encontrei o lugar perfeito para parir, além de ter sido o lugar perfeito para minha filha tomar o primeiro banho! No Centro de Parto Normal não só o parto é humanizado, mas também o primeiro banho!!!

A primeira coisa que eu achei o máximo no primeiro banho da minha boneca foi a disponibilidade e paciência das enfermeiras, essas sim comprometidas com o bem estar de todos (mãe e bebê). A enfermeira, ou melhor, o anjo que nos acompanhou nessa aventura se chama Gertrudes, carinhosamente conhecida como Geo. Estava lá para ensinar os cuidados com o bebê e não para mostrar que ela era a dona malabarista!!! A primeira coisa que sugeriu foi que o pai participasse  e eu ficaria só observando enquanto ela daria todas as instruções. O papai de plantão todo orgulhoso foi logo prestar atenção em cada detalhe. A mãe foi fazer o vídeo que saiu meio malassombrado e teve um gran finale (depois eu conto)!!

Vou contar aqui como foi o primeiro banho da minha boneca e dar dicas para as mamães poderem se virar na volta para casa, infelizmente não é todo mundo que pode contar com uma pessoa mais experiente da família para ajudar nessas horas.

Então vamos lá!

Primeiro passo:

Prepare o ambiente. Esse deve ser tranquilo, claro e não deve ter corrente de ar, por tanto feche as janelas. Pegue tudo o que você vai precisar; toalha de fralda para enxugar, toalha felpuda para aquecer (coloque a toalha felpuda aberta e a de fralda por cima), uma fraldinha extra para proteger o bebê na hora do banho (explico abaixo), coeiro, todas as traquitanas de higiene, separe a  roupinha e deixe tudo acessível ao alcance das mãos.

Tudo arrumado, é hora de preparar a água:

A água deve estar na temperatura de  cerca de 37°, bem quentinha para o bebê não sentir frio. Não fique com medo de encher a banheira e o bebê se afogar, afinal você não vai deixá-lo sozinho na banheira e tomando alguns cuidados ele não vai escorregar. Com o corpinho todo dentro da água ficará mais confortável, ele ficará mais quietinho e você mais tranquila para dar o banho. Isso também evita que ele fique com frio e se resfrie.

Então vamos ao banho:

Pegue o personagem principal. Antes de tirar a roupinha tenha certeza que o bebê não está com fome, ele só vai ficar tranquilo se não estiver com fome ou com frio. Tire a roupinha e o enrole em um coeiro, lembre-se de evitar o máximo que ele sinta frio. Se for o primeiro banho ele ainda estará sujinho de sangue e precisará de uma limpeza mais detalhada antes de entrar na banheira.  Então com um algodão úmido vá limpando os olhos, o rostinho, pescoço deixando sempre o corpinho enrolado no coeiro e os bracinhos presos. Limpe os genitais e tire todo o resido de sujeira se tiver. Atenção com o algodão, em todas as partes, limpe sempre de cima para baixo ou de dentro para fora no caso dos olhos, e nunca volte com o mesmo lado do algodão. Depois de limpar o rostinho seque.

Com todas as partes devidamente limpinhas é hora de lavar a cabeça. Pegue o bebê enrolado em forma de charuto no coeiro, coloque-o apoiado no seu anti-braço com a cabecinha voltada para a banheira, com o dedo polegar e o médio tampe o ouvidinho para que não entre água. Lave a cabeça delicadamente retirando sangue que pode ter ficado embolado no cabelo (no caso do primeiro banho). Quando terminar de lavar a cabeça pegue a toalha de fralda e seque a cabecinha bem sequinha para não resfriar. Em seguida retire o coeiro e enrole uma fralda de pano no peito prendendo os bracinhos e delicadamente coloque o bebê na água. Dentro da água e com os bracinhos presos ele vai ficar mais tranquilo e você pode começar a passar sabonete nas perninhas, genitais, barriguinha, coto umbilical que deve ser muito bem lavado nesse momento. Passando a mão por debaixo da fraldinha lave o peitinho, os bracinhos e o pescocinho. Depois disso vire o bebê ainda enrolado na fraldinha e deixe-o apoiado no seu ante braço de bruços, é hora de lavar a bundinha e as costas e deixa-lo curtindo um pouco a água nessa posição que é a que o bebê se sente mais confortável na hora do banho.

Se o ambiente estiver sem corrente de ar e o bebê estiver tranquilo não há necessidade de dar banho rápido. Ele passou nove meses na água e esse é o ambiente em que  se sente mais confortável, o banho é o momento ideal para relaxar e sentir de novo essa sensação. No primeiro banho de Maria Luiza, depois de passar por todo esse processo ela ainda foi relaxar no ofurô! Se você tiver o ofurô pode enche-lo até a marca indicada com aguá na mesma temperatura e delicadamente transferir o bebê da banheira para o ofurô. No ofurô o corpinho do bebê deve ser mergulhado  devagar e depois você segura pela cabecinha (para quem não tem prática é melhor pedir auxilio de alguém nessa hora, pedindo para que segure a cabecinha enquanto você solta o bebê na água. O bebê deve ficar só com a cabeça de fora, o bracinho permanece enrolado com a fralda. Nessa posição o bebê tende a se mexer, chutar como chutava na barriga da mãe. Deixe que ele se movimente a vontade e vá mudando de posição conforme o movimento dele. O melhor é colocar o balde num banco no centro do quarto para que você possa se movimentar para todos os lados de acordo com o movimento dele. A minha mocinha se mexeu um pouco e dormiu profundamente. Ficamos nessa brincadeira cerca de 20 min e tiramos.

Assim que retirar da água enrole o bebê na toalha fralda e na toalha felpuda para aquece-lo, lembre de tirar a fraldinha molhada. Enxugue o bebê e vá colocando as peças de roupa. Eu preferia ir secando o peitinho e colocando logo a camisetinha, com o peitinho aquecido é mais fácil cuidar do coto umbilical. Seque bem o coto, principalmente na base e passe álcool a 70%, pronto é tudo o que o coto precisa para cicatrizar direitinho. Termine de vestir o bebê.

Depois do banho precisei acordar minha boneca, pois ela não acordou nem para mamar, dormiu mais de 3 horas seguidas.  Relaxou profundamente!

Essa foi uma experiência incrível para nós três. Em primeiro lugar para Joaquim que participou do primeiro banho da filha aprendendo os cuidados dos quais os homens são sempre excluídos.  Para mim que acompanhou todo processo tranquilamente, assistindo meu bebê tomando seu primeiro banho relaxada e tranquila, sem os gritos dos banhos dados pelas lavadeiras enfermeiras e finalmente para ela que curtiu o banho, relaxou e descansou bastante depois de um trabalho de parto longo que deixou todos nós cansados. Isso é o que chamamos de banho humanizado, um procedimento que respeita o tempo do bebê e é feito com cuidado e carinho.

Todo bebê adora água, se tomar esses cuidados dificilmente vai chorar muito durante o banho. Nós não compramos banheira só o ofurô. A vovó Nilza é quem deu os primeiros banhos em casa e usar o ofurô era modernidade demais para ela, preferiu uma bacia. Voltamos a usar o ofurô dias depois quando ela estava com uns 15 dias e desde então ela toma o banho no ofurô. Inicialmente eu colocava a fraldinha no peito, mas depois foi sem fralda mesmo e ela sempre adorou a hora do banho. Sempre canto muito para ela nessa hora deixando o ambiente alegre, procuro dar banho nela sempre depois que ela comeu e está tranquila. O resultado é que até hoje após o banho dá aquele soninho e ela dorme.

Durante o banho no ofurô o bebê fica com o corpo livre para se movimentar e elimina gases. Graças a esse baldinho ela quase não teve cólica e era só ameaçar que eu colocava ela no ofurô e tudo estava resolvido. Algumas vezes ela até fazia cocô. Agora está com 6 meses e não fica mais sentada, em pé ela tenta pegar em tudo o que está ao redor e brinca com a água, se vira para todos os lados. Acredito que o ofurô ajudou ela ter uma percepção maior do próprio corpo sendo sempre um bebê bem durinho para a idade.

A mamãe coruja filmou e fotografou o primeiro  banho, porém a imagem está torta e muitas vezes sai do foco, até quando de repente, já no final do banho, tudo fica preto e só dá para ouvir as vozes da enfermeira chamando por ajuda, pois a paciente acabava de desmaiar!!! Mas foi só um susto, não tinha me alimentado direito e ainda estava muito cansada do parto.  Um outro problema do vídeo é que ele ficou todo fragmentado, pois tive que usar três câmeras diferentes, todas já estavam sem espaço suficiente de tanto vídeo de parto e fotos que havíamos feito. Ainda vou ter um trabalhinho para juntar tudo, mas deixo imagens do primeiro banho e de alguns banhos em casa para vocês curtirem.

Quero aproveitar para agradecer Gertrudes. Querida, continue fazendo esse trabalho maravilhoso! Os bebês  precisam começar a vida com carinho de gente como você e a humanidade agradece!

E antes que as outras enfermeiras me lixem em praça pública, sei que não são todas que fazem como eu descrevi acima, graças ao bom Deus tem muita gente fazendo trabalhos maravilhosos por ai!

 

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